Em um contexto marcado por rápidas transformações culturais, desafios éticos e mudanças nas formas de viver e comunicar a fé, líderes, teólogos, pastores e educadores adventistas da América do Sul reuniram-se no Simpósio Bíblico-Teológico Sul-Americano para refletir sobre o tema “Identidade Adventista e Cultura Contemporânea”.
Realizado na Universidade Adventista do Chile, em Chillán, entre os dias 21 e 24 de maio, o encontro resultou em uma declaração de consenso que reafirma os fundamentos bíblicos da denominação e, ao mesmo tempo, destaca a necessidade de um testemunho fiel e relevante diante dos desafios do mundo contemporâneo. A seguir, você poderá ler o documento na íntegra.
DECLARAÇÃO DE CONSENSO
“Identidade Adventista e Cultura Contemporânea”
XVI Simpósio Bíblico-Teológico Sul-Americano
Universidade Adventista do Chile
Chillán, 21 a 24 de maio de 2026
Nós, participantes do XVI Simpósio Bíblico-Teológico Sul-Americano, convocado pelo Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia (SALT) da Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia, reunidos na Universidade Adventista do Chile, expressamos nossa gratidão a Deus pelo privilégio de refletir bíblica, teológica, histórica e pastoralmente sobre o tema “Identidade Adventista e Cultura Contemporânea” e reafirmamos que:
- A Igreja Adventista do Sétimo Dia é um movimento profético, cuja identidade está fundamentada na autoridade e suficiência das Escrituras como revelação inspirada e normativa de Deus. A Bíblia provê os princípios e valores necessários para que a igreja responda, com fidelidade e relevância, aos desafios da cultura de nossos dias (Provérbios 30:5, 6; Mateus 5:13-16; 2 Timóteo 3:16, 17; 2 Pedro 1:20, 21).
- Nossa identidade se encontra em Cristo, centro de nossa fé e missão, sendo Sua vida e obra o fundamento de nossa esperança. Em Seu ministério terreno, Jesus ensinou os princípios do reino de Deus com verdade e compaixão, relacionando-Se redentivamente com a cultura de Seu tempo e deixando à igreja o modelo de testemunho fiel para o mundo contemporâneo (Mateus 9:35; 22:21; João 3:16, 17; Filipenses 1:21).
- O dom de profecia manifesto no ministério de Ellen G. White constitui uma orientação inspirada para o povo remanescente. Seus escritos conduzem a igreja à fidelidade bíblica, ao discernimento espiritual e fervor missionário em meio aos desafios culturais de nosso tempo (2 Crônicas 20:20; Efésios 4:11-13; Apocalipse 12:17; 19:10).
- A identidade adventista se manifesta em nosso legado histórico, nossa comunidade de fé e missão de fazer discípulos. Essa identidade é evidenciada pelo estilo de vida dos crentes (Mateus 5:16; 28:19, 20; Atos 2:42-47; 1 Tessalonicenses 5:23; Apocalipse 10:11).
- Nossa identidade deve se expressar de maneira contextualmente relevante ao mundo contemporâneo, sem comprometer as 28 crenças fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Com esse propósito, distinguimos entre os princípios teológicos inegociáveis e as formas adaptáveis de viver e compartilhar nossa fé (Atos 5:29; 1 Coríntios 9:19-23; Gálatas 1:8, 9).
- Em nossa interação com a cultura, devemos exercer discernimento bíblico para não nos isolarmos dela nem assimilar acriticamente seus valores. Necessitamos cultivar um diálogo respeitoso e influenciar a cultura por meio da pregação do evangelho eterno e de nosso testemunho pessoal (Jeremias 29:4-7; João 17:15-18; Romanos 12:2; 1 Pedro 3:15; 1 João 2:15-17).
- A Igreja Adventista do Sétimo Dia necessita transmitir sua identidade especialmente aos novos conversos e às novas gerações. Para isso, cada membro, família, ministério e instituição da igreja exerce um papel primordial (Deuteronômio 6:5-9; Josué 24:15; 1 Pedro 2:9).
Nossa convicção é de que a identidade adventista encontra sua verdadeira relevância contemporânea na proclamação fiel, compassiva e integral do evangelho eterno a toda nação, tribo, língua e povo, preparando o mundo para o breve retorno de Jesus Cristo.
Portanto, apelamos a administradores, teólogos, pastores, educadores, líderes e demais membros a exercerem sua vocação com fidelidade às Escrituras, compromisso com a igreja e fervor missionário. Reconhecemos, assim, que a preservação de nossa identidade não depende exclusivamente de formulações doutrinárias, mas também de uma experiência diária de comunhão com Cristo e do poder transformador do Espírito Santo.


