Recordista brasileira no lançamento de dardo, Mary Gonçalves transformou desafios em oportunidades de testemunho. Em sua trajetória no esporte, representou o Brasil em competições nacionais e internacionais e fez do atletismo um campo missionário, compartilhando esperança e mensagens de superação por onde passa. Uma das palestrantes do 4º Simpósio de Missão Urbana, realizado no Unasp, campus Engenheiro Coelho, entre 7 e 10 de junho, ela fala à Revista Adventista sobre sua jornada, os aprendizados acumulados ao longo do caminho e a forma como Deus tem guiado sua vida e seu ministério.
Em que momento você percebeu que sua vida não era “limitada”, mas “direcionada” por Deus de forma muito específica?
Essa mudança de paradigma foi resultado da decisão de me aceitar como sou. Descobri que somente Cristo é a nossa verdadeira alegria; todo o resto é passageiro. Quando aceitei essa verdade, compreendi que as limitações não tinham poder para definir quem eu era nem o que Deus poderia realizar em minha vida.
Fale um pouco sobre sua trajetória no esporte.
O esporte teve papel fundamental em minha jornada. Eu saía de Americana (SP) e ia até Campinas (SP) para treinar. Era uma rotina cansativa: pegava quatro ônibus e, naquela época, ainda não tinha uma cadeira de rodas motorizada. Muitas vezes, precisava me locomover com as mãos no chão. Mesmo assim, seguia em frente porque amava o que fazia. Passei por modalidades como basquete e tênis em cadeira de rodas até encontrar minha paixão no atletismo, modalidade na qual participei de Opens Internacionais e de outros importantes campeonatos. Também fui pré-convocada para os Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. Todas essas experiências me mostraram que eu era capaz de ir muito além do que imaginava.
Como você tem testemunhado de sua fé?
Procuro testemunhar da minha fé vivendo-a no dia a dia. Recentemente, Deus me abriu uma porta missionária no universo das corridas de rua e das maratonas. Embora eu não participe dessas competições como atleta, trabalho com a personalização de camisetas para corredores e aproveito esse contato para distribuir exemplares do livro A Chave da Virada e folhetos com mensagens de esperança.
Que papel o Ministério Adventista das Possibilidades teve na sua trajetória missionária?
Quando conheci esse ministério, identifiquei-me imediatamente com sua proposta. Embora a primeira tentativa de implantá-lo em minha igreja local não tenha dado certo, continuei orando para que Deus me mostrasse uma forma de servi-Lo. A resposta veio por meio de um pequeno grupo realizado em minha casa. Iniciado em abril de 2023, o projeto começou com um programa de conscientização sobre o autismo e passou a reunir amigos, vizinhos e pessoas interessadas em conhecer mais sobre Jesus. Para a honra e glória de Deus, 13 pessoas já foram batizadas, incluindo três pessoas com deficiência. O MAP me ensinou que Deus não nos define por nossas limitações, mas por Seu amor. Todos somos chamados, amados e valorizados por Ele.
Que mensagem você gostaria de deixar?
Quando comprei minha primeira cadeira de rodas motorizada, precisei deixar a igreja em que congregava por falta de acessibilidade. Foi uma experiência marcante que me fez compreender ainda mais a importância da inclusão em nossos espaços de culto. Rampas, acessos adequados e outras adaptações para pessoas com mobilidade reduzida ou necessidades específicas não são apenas questões arquitetônicas; são expressões de acolhimento e cuidado cristão. Não podemos esquecer que acessibilidade também é evangelismo. Quando removemos barreiras físicas, abrimos caminhos para que mais pessoas se sintam acolhidas, valorizadas e integradas na família de Deus.
(Entrevista publicada na Revista Adventista de julho/2026)


