A Bíblia está repleta de exemplos de pessoas que, longe de se retirarem para o descanso, viveram seus anos dourados da velhice como o ápice da sabedoria e do vigor espiritual.
Calebe, após 40 anos no deserto, não desejou uma região tranquila para desfrutar a aposentadoria. Aos 85 anos, pediu a Josué que lhe concedesse a região montanhosa de Hebrom, onde habitavam os gigantes anaquins (Josué 14:11, 12). Sua força não estava apenas no vigor físico, mas em sua decisão de seguir fielmente o Senhor ao longo da vida.
Ana encontrou na velhice não o fim de sua missão, mas sua continuidade. Viúva desde muito jovem, consagrou sua vida ao serviço no templo e à intercessão. Aos 84 anos, teve o privilégio de estar entre os primeiros a reconhecer que o menino Jesus era o Redentor esperado. Seu exemplo demonstra que a vocação espiritual permanece viva enquanto houver vida.
Sobre os últimos anos do apóstolo Paulo, Ellen White observou: “As provações e angústias que Paulo havia suportado minaram suas forças físicas. As doenças da idade avançada o acometiam. Pressentia que estava fazendo sua última obra e, à medida que o tempo ia se esgotando, seus esforços se tornavam mais intensos. Parecia não haver limite para seu zelo. Resoluto, pronto para agir e firme na fé.”* Ou seja, a idade avançada não enfraqueceu seu senso de missão; apenas tornou mais urgente seu compromisso com ela.
Por fim, João, o discípulo amado, foi o único dos doze apóstolos a alcançar a velhice. No entanto, seus anos finais foram também alguns dos mais produtivos. Já em idade avançada, foi exilado na ilha de Patmos por causa de sua fé. Em vez de se render ao isolamento, recebeu e registrou as visões que compõem o livro do Apocalipse, deixando para as gerações futuras uma poderosa mensagem de esperança.
De fato, a Bíblia não deixa dúvidas quanto à responsabilidade que temos para com os idosos. Honrá-los, respeitá-los e apoiá-los faz parte da vontade de Deus para Seu povo. O apóstolo Paulo afirmou: “Se alguém não tem cuidado dos seus e, especialmente, dos da própria casa, esse negou a fé e é pior do que o descrente” (1 Timóteo 5:8). E o salmista expressou o anseio de quem deseja continuar amparado em seus anos mais frágeis: “Não me rejeites na minha velhice; quando me faltarem as forças, não me desampares” (Salmo 71:9).
Segundo dados do Departamento de Arquivo, Estatística e Pesquisa (DAEP) da Divisão Sul-Americana, em março de 2026 a Igreja Adventista na América do Sul contava com 551.223 membros com mais de 60 anos de idade, o que representa 20,56% de nossa irmandade. São homens e mulheres que continuam firmes na fé e na esperança, vivendo de acordo com os princípios bíblicos e dedicando seu tempo, seus talentos e seus recursos ao fortalecimento da igreja e ao cumprimento da missão. A todos vocês, queridos irmãos, expressamos nossa profunda gratidão pelo testemunho de fidelidade e compromisso com a causa de Deus.
A fé não conta os anos; ela celebra as promessas de Deus cumpridas durante a caminhada. Cada ruga revela uma história de perseverança, e cada dia renova a certeza de que o melhor ainda está por vir. Sigam em frente com confiança, porque “a nossa salvação está agora mais perto do que quando no princípio cremos” (Romanos 13:11).
STANLEY ARCO é presidente da Igreja Adventista para a América do Sul
Referência
* Ellen G. White, Atos dos Apóstolos (CPB, 2021), p. 309, 310.
(Artigo publicado na seção “Bússola” da Revista Adventista de julho/2026)


