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Ministério de todos

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Escrito por A Redação

A importância da participação dos membros na missão

Shawn Boonstra

“Pastor, acho que minha amiga pode se interessar pelo evangelho, mas tenho quase certeza de que, neste momento, ela está em um bar. O senhor precisa ir lá agora mesmo e tirá-la daquele lugar!”, disse a jovem, com urgência.

“Eu realmente aprecio sua preocupação com sua amiga”, respondi com calma. “É muito bonito ver alguém que se importa assim com as pessoas. Mas me diga uma coisa: o que você acha que aconteceria se eu entrasse naquele bar para falar com ela?”

“Acho que, se um pastor aparecesse lá, ela mudaria de ideia e iria embora!” Convicta, Tânia aguardou minha reação, certa de que sua resposta seria suficiente para me fazer agir.

O sentimento dela era compreensível, afinal, muitas pessoas ainda têm uma visão limitada do ministério pastoral. É verdade que pastores e evangelistas costumam ter mais experiência ao dialogar com pessoas em conflito espiritual. No entanto, eles são completamente incapazes de produzir convicção por si mesmos. Convicção, no sentido mais profundo, não nasce da habilidade humana – é obra exclusiva do Espírito Santo pode fazer. E quando alguém decide ignorar ou resistir à Sua atuação, não há argumento, por mais lógico ou eloquente que seja, capaz de mudar esse quadro.

“Ora, a pessoa natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura. E ela não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Coríntios 2:14).

“Tânia”, respondi com cuidado, “acho que isso não funcionaria da maneira que você imagina. Na maioria das vezes, quando alguém percebe que um amigo ou familiar enviou um pastor – especialmente sem que a visita seja desejada –, a reação tende a ser negativa. Eu poderia ir até aquele bar agora, mas ela provavelmente entenderia que isso partiu de você, e há uma boa chance de que isso acabe prejudicando a amizade de vocês.”

“Mas ela está em perigo espiritual!”, retrucou a jovem, visivelmente surpresa.

Por que eu hesitei? Porque já havia tentado esse caminho inúmeras vezes quando era pastor de jovens, falhando com frequência suficiente para não nutrir grandes expectativas de sucesso agora. Na maioria das ocasiões, eram esposas cheias de esperança que desejavam que eu encontrasse as palavras certas para despertar no marido o interesse por Deus.

É verdade que, em alguns casos, quando eu conseguia me aproximar e construir uma amizade genuína, surgia confiança suficiente para incentivar uma busca sincera e abrir espaço para conversas sobre Jesus. Mas esse processo nunca acontecia à força – nem por intervenção repentina. Pense nos debates acalorados que você já presenciou nas redes sociais. Quantas vezes você viu alguém dizer: “Acho que você tem razão”? O orgulho, na maioria das vezes, levanta barreiras que nenhum argumento, por mais bem elaborado que seja, consegue atravessar.

Perspectiva diferente

Além do risco de irritar a amiga, Tânia também partia de outro equívoco bastante comum: a ideia de que a evangelização é responsabilidade exclusiva do pastor. Trata-se de uma compreensão não bíblica, que ao longo do tempo tem contribuído para o crescimento lento, ou até para a estagnação, de muitas igrejas. No modelo apresentado no Novo Testamento, o pastor atua como um facilitador – alguém que treina, equipa e encoraja a igreja para o cumprimento da missão.

Em sua carta à igreja em Éfeso, o apóstolo Paulo esclarece o propósito dos dons concedidos por Deus ao Seu povo:E Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo(Efésios 4:11, 12).

Observe que os pastores não foram chamados para realizar a obra sozinhos. Eles foram capacitados pelo Espírito Santo para preparar o povo de Deus. Em algumas traduções da Bíblia, a pontuação acaba sugerindo uma divisão dessa ideia, como se o papel do pastor fosse, ao mesmo tempo, capacitar os membros e assumir pessoalmente o trabalho ministerial. No entanto, é importante lembrar que essa pontuação não existia nos manuscritos originais. Ela foi introduzida posteriormente, em um período em que a compreensão do papel do clero ainda era fortemente influenciada por uma visão mais centralizada do ministério, semelhante à do sacerdócio no contexto católico romano.

Ellen White declarou: “Todos a quem a inspiração celestial tem chegado são encarregados do evangelho. ‘Somos cooperadores de Deus’ (1 Coríntios 3:9), chamados para representá-Lo como embaixadores do amor.”*

Jesus não disse aos Seus ouvintes que apenas alguns eram a luz do mundo. Ele Se dirigia a toda a multidão. Ainda assim, muitos de nós recuamos diante desse chamado, questionando se realmente temos capacidade para conduzir alguém a Cristo. A verdade é que não temos – e o pastor também não. Nenhum de nós é capaz de produzir transformação espiritual por conta própria. Não fomos chamados para realizar a obra do Espírito Santo, mas para estar presentes ao lado daqueles em cujo coração Ele já está operando.

Um papel para cada um de nós

Quando você se depara com alguém que demonstra interesse pela fé, é natural pensar imediatamente em chamar o pastor – e, de fato, um bom pastor pode ser um recurso valioso. No entanto, é importante perceber que Deus colocou essa pessoa em seu caminho por uma razão. Pode ser que você seja, justamente, a pessoa mais indicada para ajudá-la nesse momento – alguém capaz de construir uma ponte, oferecer escuta, e conduzi-la, com sensibilidade, a uma conexão genuína com a igreja de Deus.

Quando compreendemos que Deus nos chama como somos – com os dons que temos e até com aquele que ainda não temos –, somos libertos do medo. Não precisamos imitar o estilo, as palavras ou os gestos de pastores que admiramos, como se a influência dependesse de reproduzir o que outros já fazem.

É claro que vale a pena ouvir quem tem experiência e aprender métodos que dão certo. Mas isso não substitui uma verdade essencial: Deus o chamou para este momento exatamente por quem você é. Quando Ele precisou de Paulo, de Lutero ou de Ellen White, Ele os encontrou e os usou. E agora, neste tempo, Deus chama você para ser luz no mundo – com todas as falhas e nuances da sua personalidade. Ele continua colocando pessoas em seu caminho, confiando que, por meio de uma vida disponível, pode alcançar outros corações.

SHAWN BOONSTRA é editor associado da Adventist Review

Referência

* Ellen G. White, Manuscrito 21, 1900, parágrafo 30.

(Artigo publicado na edição especial da Adventist Review com textos sugestivos para uma Semana de Oração)

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