Shawn Boonstra
Certa vez, Dudley Canright, um dissidente contemporâneo de Ellen White, afirmou que, se não fosse por nossa mensagem singular, seria um grande pregador. É claro que estava completamente enganado. Não é a capacidade de oratória que torna grande um pregador adventista; é a nossa mensagem bíblica – uma mensagem capaz de alcançar o coração dos pecadores como nenhuma outra. Ela é eficaz porque está ancorada em Cristo.
As três mensagens angélicas de Apocalipse 14:6 a 12 estão no cerne da nossa identidade e missão. No entanto, elas são mal interpretadas por alguns, seja por desconhecimento, seja pela influência de visões distorcidas que circulam na internet. Às vezes também ouvimos membros sugerindo que nossa mensagem é um relicário do século 19 e que a igreja precisa se atualizar. Em alguns casos, a aversão às nossas doutrinas está ligada à forma como foram ensinadas na infância: se seus mentores eram severos e julgadores, é provável que tenham sido privados de uma compreensão redentora e centrada em Cristo.
Adventistas recém-batizados frequentemente relatam que as três mensagens angélicas lhes apresentaram a mais clara e poderosa revelação de Cristo que já haviam conhecido. Além disso, pessoas envolvidas na pregação do evangelho testemunham o poder de transformação dessa mensagem.
Observe atentamente o público de uma série de evangelismo. A cada noite, o evangelista lança uma “isca” doutrinária e, a cada encontro, “peixes” distintos são “fisgados”. Diferentes aspectos da nossa mensagem atraem perfis variados. Às vezes, é a crença do sábado que leva alguém a entregar a vida a Cristo. Em outras ocasiões, é a compreensão do estado do ser humano na morte ou a mensagem de saúde que causa maior impacto. É como se Deus nos tivesse dado 28 “iscas” para usarmos como pescadores de pessoas. Quando todos os fundamentos são ensinados fielmente, a rede começa a se encher.
Alguns acreditam que a eficácia da nossa mensagem está diminuindo e que ela seria menos relevante para as plateias pós-modernas. Evangelistas experientes, porém, afirmam que isso está longe da verdade: nos últimos anos, têm observado seu poder de atração crescer. As audiências podem não ser tão grandes quanto antes, mas estão receptivas. Há, inclusive, pessoas que se levantam no meio do sermão, iniciando espontaneamente uma resposta antes mesmo do apelo do pregador.
Esse resultado não é fruto da eloquência humana, mas da atuação do Espírito de Deus, que fala ao coração por meio de Sua Palavra.
Fiéis à missão
Deus não errou ao nos confiar a missão que temos. É difícil imaginar o Céu reunido em uma comissão de emergência, chegando à conclusão de que entregou à Igreja Adventista do Sétimo Dia a mensagem errada.
Que pensamento absurdo! Se as profecias bíblicas se cumpriram com precisão ao longo de milênios, podemos confiar também em passagens como as de Apocalipse 14 e 18, que anunciam que, em breve, o mundo será iluminado com a glória de Cristo.
Este movimento não está destinado a perecer nas trevas; ele avança rumo a um grande clímax, e ainda nos surpreenderemos com o número de pessoas que afluirão para a igreja. Ellen White afirmou: “Milhares da última hora verão e reconhecerão a verdade. […] Essas conversões à verdade se darão com uma rapidez surpreendente para a igreja, e unicamente o nome de Deus será glorificado.”*
As verdades impressionantes de Apocalipse 14 não perdem seu significado, por mais que o mundo se afaste do ideal divino. Pelo contrário, tornam-se ainda mais contundentes à medida que as pessoas testemunham o colapso de sistemas político-econômicos e experimentam a frustração de confiar nos reinos terrestres. O desencanto tem atingido níveis sem precedentes e, embora muitos tenham perdido a esperança de encontrar uma verdade objetiva, é equivocado supor que estejam satisfeitos com essa condição. Deus colocou no coração do ser humano a eternidade (Eclesiastes 3:11), e o anseio por Cristo só tende a se intensificar à medida que este mundo caído segue em sua deterioração.
SHAWN BOONSTRA é editor associado da Adventist Review
Referência
*Ellen G. White, Eventos Finais (CPB, 2021), p. 130, 131.
(Artigo publicado na edição especial da Adventist Review com textos sugestivos para uma Semana de Oração)
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