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Acima da polarização

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Escrito por Wellington Barbosa

Cinco princípios bíblicos para orientar o cristão diante das escolhas políticas

A cada dois anos, os brasileiros são chamados às urnas para escolher seus representantes. Há algum tempo, porém, esse exercício de cidadania tem sido marcado pela polarização, cujos reflexos também têm alcançado a igreja. Desde seus primórdios, a Igreja Adventista reconhece a liberdade de consciência e a responsabilidade individual diante do voto, fundamentando essa compreensão não em argumentos políticos, mas em princípios bíblicos. Em tempos como o nosso, convém relembrar cinco deles.

1. Deus é soberano. O desenrolar da história, à luz das profecias bíblicas, revela que, em Sua soberania, Deus “remove reis e estabelece reis” (Daniel 2:21). Ele jamais perde o controle dos eventos mundiais, seja diante de governantes bons ou maus. Faraó, Nabucodonosor e Ciro demonstraram que o Senhor pode cumprir Seus propósitos até por meio de autoridades que não O reconhecem.

2. O povo de Deus tem dupla cidadania. Embora nossa cidadania esteja nos Céus (cf. Filipenses 3:20), o Senhor nos chamou a viver com responsabilidade enquanto peregrinamos na Terra. José, Daniel e Neemias exemplificaram esse princípio: mesmo estando longe de sua pátria, permaneceram fiéis ao Senhor e trabalharam em favor do bem comum. Em sua trajetória, demonstraram o significado da orientação divina: “Procurem a paz da cidade […] e orem por ela ao Senhor; porque na sua paz vocês terão paz” (Jeremias 29:7).

3. A lealdade ao Senhor está acima de qualquer outra autoridade. A Bíblia ensina o povo de Deus a respeitar as autoridades e a ser exemplo de boa conduta (cf. 1 Pedro 2:11-17). Isso, porém, não significa fazer concessões que contrariem os princípios divinos. Sadraque, Mesaque e Abede-Nego recusaram-se a obedecer a uma ordem que violava a lei de Deus. Além disso, demonstraram que sua fidelidade não dependia do livramento ao declarar: “E mesmo que Ele não nos livre, fique sabendo, ó rei, que não prestaremos culto aos seus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que o senhor levantou” (Daniel 3:18).

4. A unidade do povo de Deus está acima das divisões políticas. Ao interceder por Seus discípulos, Cristo suplicou: “Pai santo, guarda-os em Teu nome, que Me deste, para que eles sejam um, assim como Nós somos um” (João 17:11). Alimentar divisões políticas na igreja é contrariar essa oração, enfraquecer o testemunho do evangelho e abrir espaço para a ação do inimigo. Ao chamar Mateus, o publicano, e Simão, o zelote – homens identificados com visões politicamente opostas –, Jesus demonstrou que a comunhão cristã é maior do que qualquer diferença política.

5. O voto deve refletir os valores do reino. Ao exercer esse direito, o cristão deve ser guiado pelos princípios do reino dos Céus. “O que o Senhor pede de você? Que pratique a justiça, ame a misericórdia e ande humildemente com o seu Deus” (Miqueias 6:8). Natã, Elias e João Batista mostraram que a fidelidade ao Senhor não relativiza o pecado nem se curva a projetos de poder. Como povo profético, somos chamados a viver a mesma integridade.

As eleições se aproximam e nos oferecem a oportunidade de testemunhar que nossa confiança não está nos projetos humanos, mas no estabelecimento do reino de Deus. Que nossas escolhas sejam guiadas por princípios bíblicos e nosso testemunho aponte, acima de qualquer polarização, para Cristo, a única esperança do mundo.

WELLINGTON BARBOSA é editor da Revista Adventista

(Editorial da Revista Adventista de agosto/2026)

Sobre o autor

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Wellington Barbosa

Doutor em Ministério pela Universidade Andrews (EUA), é gerente editorial da Casa Publicadora Brasileira e editor da Revista Adventista

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