Gabriel Galvani
Ao longo dos séculos, rios de tinta correram sobre pergaminhos e papéis na tentativa de explicar o significado da sabedoria. Seria ela o conhecimento acerca do bem proceder? Ou o entendimento filosófico das realidades mais elevadas? A Palavra de Deus responde a essa questão de forma simples e direta: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Salmo 111:10).
Nas Escrituras, o “temor do Senhor” envolve as dimensões emocional, intelectual e prática da experiência humana. Isso significa que, diante de Deus, o ser humano é chamado a cultivar um temor reverente, fundamentado na compreensão de Sua santidade e suprema transcendência. Ao mesmo tempo, esse temor se expressa na vida prática, pois o desejo do Senhor é que as criaturas feitas à Sua imagem sejam santificadas por meio da vivência dos elevados princípios revelados em Seus mandamentos.
Após libertar os israelitas da escravidão no Egito, Deus lhes transmitiu estatutos com o intuito de orientar a vida da nação segundo os valores do Céu. Esses preceitos deveriam constituir “a sabedoria e o entendimento” de Israel “aos olhos dos povos” (Deuteronômio 4:6). A maior parte deles, porém, é bastante específica e está relacionada a situações próprias do contexto agrário do Antigo Oriente Médio ou ao sistema de culto centrado no santuário. Por essa razão, muitos cristãos os consideram irrelevantes ou obsoletos para a vida da igreja, entendendo que apenas os Dez Mandamentos continuam a demandar sua atenção.
O fato de o cristianismo, em geral, ter relegado a segundo plano grande parte das leis do Antigo Testamento não ocorreu sem consequências. Embora tenham sido destinadas a pessoas que viviam em uma cultura antiga muito diferente da nossa, essas leis revelam princípios eternos e universalmente aplicáveis. Neles se encontra a verdadeira fonte de sabedoria para a vida de acordo com a vontade de Deus.
Ciente dessa realidade, Roy Gane, em As Leis do Antigo Testamento Para Cristãos (CPB, 2026, 416 p.), procura demonstrar que as leis veterotestamentárias “são relevantes, interessantes, acessíveis e úteis”. Seu propósito é ajudar os cristãos “a entender como as leis do Antigo Testamento revelam princípios e valores sábios e duradouros, mesmo que determinadas leis não se apliquem diretamente a nós hoje” (p. 13).
Não é preciso muito esforço analítico para se chegar à conclusão de que o mundo atual está imerso em uma profunda crise moral – resultado de uma miscelânea de valores contraditórios fundamentados em visões distorcidas da realidade – e necessita urgentemente da sabedoria do Alto.
Sendo assim, se seu desejo é conhecer mais a fundo os sábios princípios divinos contidos nas leis do Antigo Testamento e aprender a viver de forma plena no temor do Senhor, este livro será um excelente auxílio para você.
GABRIEL GALVANI é editor de livros na CPB
(Resenha publicada na seção “Estante” da Revista Adventista de agosto/2026)


