Shawn Boonstra
Os dados estavam prontos; o estudo, completo. Dez dos doze especialistas concordaram: tomar posse da Terra Prometida era impossível. Seus argumentos faziam sentido: os habitantes de Canaã eram mais fortes e mais bem equipados, e Israel não tinha chance. Havia, porém, um problema com aqueles dados: a conclusão os levava a duvidar da promessa de Deus.
“Levante-se”, disse Deus a Abraão, “e percorra essa terra no seu comprimento e na sua largura, porque Eu a darei a você” (Gênesis 13:17).
Você já reparou que Deus raramente pede ao Seu povo que faça algo que pareça possível? Sair do Egito? O faraó jamais permitiria. Seguir por uma rota que terminava no Mar Vermelho? Como atravessar?
Observe, porém, que, quando finalmente entraram na Terra Prometida, quarenta anos depois, seguiram a arca da aliança, símbolo da autoridade de Deus no santuário celestial. Quando os sacerdotes a levaram até as águas, o Jordão se abriu. Da mesma forma, ela estava presente quando os muros de Jericó caíram.
Ainda assim, começaram a duvidar da promessa de Deus. Apenas dois dos doze espias escolheram crer que, se fosse da vontade de Deus, aquilo certamente aconteceria. E, quando a multidão deu ouvidos aos céticos em vez de confiar no plano divino, tiveram que peregrinar pelo deserto durante quatro décadas.
O propósito de Deus ia além de uma simples missão de reconhecimento e da conquista de cidades. “Tão certo como eu vivo”, disse Deus a Moisés, “[…] toda a terra se encherá da glória do Senhor” (Números 14:21).
Encontramos o mesmo objetivo final no livro de Apocalipse, no qual Deus promete iluminar o mundo com a glória de Cristo (Apocalipse 18:1). A nossa falta de fé não frustrará Seus planos de tomar o planeta e estabelecer o reino de Cristo. Podemos atrasá-los por meio da incredulidade, mas não os deter; o mundo inteiro será iluminado.
Quer se trate da igreja do Antigo ou do Novo Testamento, o objetivo de Deus sempre foi o mesmo: alcançar todo o planeta. O Senhor declarou por meio do profeta Isaías: “Farei também com que você seja uma luz para os gentios, para que você seja a minha salvação até os confins da Terra” (Isaías 49:6).
“Porque eis que as trevas cobrem a Terra, e a escuridão envolve os povos; mas sobre você aparece resplandecente o Senhor, e a sua glória já está brilhando sobre você. As nações se encaminham para a sua luz, ó Jerusalém, e os reis são atraídos para o resplendor do seu amanhecer” (Isaías 60:2, 3).
Sob as regras do grande conflito, fundamentadas no caráter de Deus, Ele concedeu à raça humana um grau notável de liberdade. Podemos nos afastar Dele e viver como quisermos (veja Atos 14:16). A própria existência das nações prova que essa liberdade é real, e as bestas que emergem do mar na visão de Daniel ilustram quanto sofrimento ela causa ao planeta: os ventos agitam a superfície das águas, geração após geração, trazendo dores e angústias incontáveis, à medida que o poder muda continuamente entre as grandes potências mundiais. Esse problema não cessará até que o juízo ocorra e o Filho do Homem receba o Seu reino: “Foi-Lhe dado o domínio, a glória e o reino, para que as pessoas de todos os povos, nações e línguas o servissem. O Seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o Seu reino jamais será destruído” (Daniel 7:14).
A tarefa da igreja remanescente dos últimos dias é a mesma recebida por Israel, pois o amor de Deus pelos pecadores não mudou: devemos levar a luz de Cristo a todas as nações. João escreveu: “Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que habitam na Terra, e a cada nação, tribo, língua e povo, dizendo com voz forte: ‘Temam a Deus e deem glória a Ele, pois é chegada a hora em que Ele vai julgar. E adorem Aquele que fez o céu, a terra, o mar e as fontes das águas” (Apocalipse 14:6, 7).
Na fronteira
Como os israelitas no passado, estamos agora às portas da Terra Prometida. Tudo o que Deus nos disse que aconteceria já aconteceu – como a maioria das profecias de Daniel – ou está acontecendo neste momento. Semelhantemente, recebemos um relato animador de alguém que, em visão, entrou na Canaã celestial: “Há grandes dificuldades e provações diante de nós. Será necessário grande coragem e esforço perseverante para avançar. Mas tudo agora depende de nossa fé no Capitão que nos conduziu em segurança até aqui. Permitiremos que a descrença se instale agora? Vacilaremos diante da desconfiança e do medo? Faremos concessões ao mundo e nos afastaremos da Canaã celestial?”*
A questão é se repetiremos o erro e permaneceremos aqui por mais uma geração. Não há dúvida de que o mundo está cheio de “gigantes” intimidadores. Às vezes, os poderes das trevas parecem ter mais força, mais influência e mais recursos. Vemos a tarefa que nos foi dada e nos perguntamos como levar ao mundo a mensagem que recebemos.
Somos tentados a nos apoiar em pesquisas que mostram o declínio do cristianismo. Igrejas encolhem. Jovens se afastam da religião. Pessoas abandonaram a ideia de verdade objetiva. Como poderemos iluminar este mundo com a glória de Cristo? Parece uma missão impossível. Mas então João nos lembra: “Vi descer do céu outro anjo, que tinha grande autoridade, e a Terra se iluminou com a sua glória” (Apocalipse 18:1).
Deus nos desafia a reivindicar um mundo que Lhe pertence. Levante-se. Supere o medo e siga em direção a Canaã. Entenda que é preciso coragem para crer em Deus, apesar das críticas. Seja fiel. Conte a alguém o que você sabe sobre Jesus. Faça parte da luz que está prestes a iluminar o mundo.
SHAWN BOONSTRA é editor associado da Adventist Review
Referência
* Ellen G. White, Review and Herald, 29 de novembro de 1881.
(Artigo publicado na edição especial da Adventist Review com textos sugestivos para uma Semana de Oração)
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