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Discernimento estratégico

Imagem generativa: Renan Martin
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Escrito por Stanley Arco

A igreja necessita de líderes que saibam interpretar os sinais dos tempos e agir com sabedoria e propósito

Issacar foi o nono filho de Jacó e teve quatro filhos. Embora a tribo fosse numericamente pequena em comparação com as demais, seus descendentes exerciam uma influência desproporcional à sua dimensão, graças à sua capacidade intelectual e espiritual.

Desde a bênção de Jacó (Gênesis 49:14, 15), Issacar foi descrita como uma tribo trabalhadora, organizada e estável. Seus membros eram sábios para interpretar o contexto e os sinais dos tempos, além de estratégicos na elaboração e execução de planos eficazes. Tinham influência para levar outros a confiar em sua visão e prudência a fim de agir no momento certo, da maneira adequada, com foco, perseverança e direção.

Essa combinação entre visão e ação transformou uma pequena tribo no cérebro do exército de Davi. Trata-se de uma grande lição sobre como a preparação mental e espiritual pode ser tão poderosa quanto a força de mil guerreiros. Em 1 Crônicas 12:32, encontram-se resumidas suas qualidades excepcionais:

“Sabiam discernir o tempo”; ou seja, tinham discernimento estratégico. Ao contrário dos guerreiros de Gade ou Benjamim, conhecidos por sua destreza física, os homens de Issacar destacavam-se pela inteligência emocional e clareza quanto às prioridades. Não se limitavam a observar os fatos, mas interpretavam o significado do que estava acontecendo naquele período de transição entre os reinados de Saul e Davi. Faziam um diagnóstico da realidade e, com base nele, traçavam planos. Sabiam o momento exato de agir e reconheciam a mão de Deus conduzindo a história.

“Para saberem o que Israel devia fazer”; isto é, tinham capacidade de dirigir. Issacar combinava comunhão com Deus, senso de missão e sabedoria com aplicação prática. Enquanto outros estavam prontos para lutar, os homens de Issacar sabiam para onde direcionar essa força. Atuavam como planejadores e conselheiros estratégicos, mas também como executores dedicados. Sua sabedoria impedia que o entusiasmo fosse desperdiçado em esforços desnecessários.

“Todos os seus irmãos estavam sob suas ordens”, pois tinham autoridade baseada no respeito. Embora houvesse apenas cerca de 200 líderes, o restante da nação os ouvia, se integrava a eles e seguia sua direção. Sua autoridade não provinha da força, mas da reputação de sabedoria e de uma liderança marcada por serviço, propósito e influência. Quando esses líderes davam uma orientação, o povo confiava e agia em unidade.

O nome Issacar significa originalmente “ele trará recompensa”, “prêmio” ou “galardão”. Isso revela que tal entrega e compromisso não seriam em vão, mas produziriam frutos para a glória de Deus e para a eternidade.

Atualmente, vivemos em um ritmo tão vertiginoso que uma notícia se torna desatualizada em instantes e, o que é pior, corremos o risco de perder a capacidade de nos surpreender e reagir diante do aumento diário da dor e do sofrimento. Contudo, isso não continuará para sempre. Deus permanece no controle de todas as coisas. Por isso, Ele nos chama a assumir nosso papel profético com a postura de Issacar e a levar, de maneira planejada, prioritária e urgente, a mensagem de salvação e esperança a um mundo confuso e agonizante. “O Senhor vem. Ouvimos os passos de um Deus que Se aproxima […] Temos que Lhe preparar o caminho mediante o desempenho de nossa parte em preparar um povo para aquele grande dia.”*

STANLEY ARCO é presidente da Igreja Adventista para a América do Sul

Referência

* Ellen G. White, Evangelismo (CPB, 2023), p. 153.

(Artigo publicado na seção “Bússola” da Revista Adventista de junho/2026)

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Stanley Arco

Presidente da Igreja Adventista para a América do Sul

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