Erton Köhler
As Escrituras descrevem os momentos finais da história da Terra não como um ambiente neutro, mas como um campo de batalha. A palavra profética revela essa realidade com clareza, advertindo que “o diabo desceu até vocês, cheio de fúria, sabendo que pouco tempo lhe resta” (Apocalipse 12:12). A tensão que sentimos não é fruto do acaso. Ela é o reflexo visível de um conflito mais profundo. No centro desse conflito está um contraste que redefine tudo o que sabemos sobre poder. De um lado, o dragão, movido pela força; de outro, o Cordeiro, definido pelo sacrifício. A lógica humana pressupõe que o dragão vencerá, mas as Escrituras subvertem todas as expectativas: “o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis” (Apocalipse 17:14). A vitória, em vez de seguir a lógica da força, segue o caráter de Cristo.
Esse padrão divino está entrelaçado em todas as páginas das Escrituras. Moisés apresentou-se diante do poder do Egito sem qualquer vantagem aparente. Davi enfrentou um gigante sem armadura. Gideão liderou um exército pequeno demais para vencer. Em cada uma dessas crises, Deus não eliminou a desproporção, mas a utilizou para revelar Sua glória.
Hoje enfrentamos um mundo em que as mudanças culturais ocorrem em ritmo vertiginoso, e regiões inteiras permanecem sem ser alcançadas pelo evangelho. Do ponto de vista humano, a dimensão do desafio é imensa. No entanto, não fomos chamados para ser estatísticos, mas testemunhas, medindo nosso potencial não pelos recursos de que dispomos, mas pelo poder de nosso Comandante.
A profecia foi dada para direcionar nosso olhar, não para alimentar nossos temores. Ela nos lembra de que, embora o inimigo cause tumulto, jamais terá a palavra final. A redenção foi assegurada na cruz. Nossa tarefa é proclamar a verdade. Vencemos “por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram” (Apocalipse 12:11). A missão avança por meio de vidas moldadas pela Palavra e sustentadas pela convicção de que o Cordeiro já venceu.
Portanto, a questão já não é o tamanho do desafio, mas a clareza de nossa resposta. A desproporção é evidente. Uma igreja de 24 milhões de membros está diante de um mundo com mais de 8,2 bilhões de pessoas. As convicções bíblicas muitas vezes entram em tensão com os valores culturais predominantes. Em questões como o sábado, a criação e a família, nossos valores podem parecer destoantes. Às vezes, o contraste se assemelha ao de um pequeno cordeiro diante de um dragão. Mas o Apocalipse apresenta esse desequilíbrio como uma condição a ser compreendida, não como um problema a ser resolvido. “O Cordeiro os vencerá” (Apocalipse 17:14). Uma igreja ancorada nas Escrituras mede seu futuro pela certeza profética. O desfecho é determinado por nosso alinhamento com Cristo.
O Cordeiro prevalece. A mensagem permanece. E a missão continua.
ERTON KÖHLER é presidente da Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia
(Artigo publicado na seção “Perspectiva” da Revista Adventista de outubro/2026)


