Artigos • Destaques

Plagiadora?

Imagem generativa: Renan Martin
Avatar photo
Escrito por A Redação

Como Ellen White utilizou obras de outros autores para ampliar e expressar suas ideias

Herbert Douglass

Ellen White frequentemente recorria a fontes literárias para comunicar suas mensagens. Na introdução de um de seus livros mais conhecidos, ela escreveu:

“Em alguns casos em que um historiador agrupou os eventos proporcionando uma visão abrangente do tema, ou sintetizou de forma conveniente os detalhes, suas palavras foram citadas textualmente. Em outras situações, porém, não se nomeou o autor, considerando que as transcrições não foram feitas com o propósito de citar aquele escritor como autoridade, mas porque sua declaração resume de forma adequada o assunto. E, ao narrar a experiência e os pontos de vista dos que levam avante a obra da Reforma em nossos dias, usei de modo similar suas obras publicadas.”1

O uso de outros autores por Ellen White não se limitava a materiais históricos ou geográficos, mas abrangia também outras áreas temáticas. Pesquisas constataram que ela enriqueceu seus escritos com expressões selecionadas de suas leituras em uma medida mais ampla do que se conhecia anteriormente, embora a quantidade de material documentado até o momento seja pequena – menos de 2% – quando comparada ao conjunto de sua produção literária.

Em 1980, Fred Veltman, então diretor do Departamento de Religião da Faculdade União do Pacífico, iniciou um estudo detalhado sobre as fontes literárias utilizadas por Ellen White em O Desejado de Todas as Nações. O estudo levou oito anos para ser concluído. Cópias do relatório completo, com 2.561 páginas, foram distribuídas às bibliotecas de faculdades e universidades adventistas do sétimo dia em todo o mundo.2

Como Ellen White incorporou em seus escritos trechos de outros autores, críticos a acusaram de plágio. Contudo, o simples uso da linguagem de outro autor não constitui apropriação indevida de obra literária, como observou o advogado Vincent Ramik, especialista em casos envolvendo patentes, marcas registradas e direitos autorais. Após analisar cerca de mil processos relacionados a direitos autorais na história jurídica dos Estados Unidos, Ramik elaborou um parecer de 27 páginas no qual concluiu: “Ellen White não era plagiadora, e suas obras não constituíam violação de direitos autorais nem pirataria.”

Ramik apontou diversos fatores que os críticos dos escritos de Ellen White deixaram de considerar ao acusá-la de apropriação indevida de obras literárias ou de desonestidade: (1) suas seleções “permaneceram dentro dos limites legais do ‘uso legítimo’ (fair use)”; (2) “Ellen White utilizou os escritos de outros autores; mas, na maneira como os utilizou, tornou-os singularmente seus”, adaptando os trechos à sua própria estrutura literária; e (3) Ellen White incentivava seus leitores a adquirir exemplares de alguns dos próprios livros que utilizava, demonstrando que não procurava ocultar o fato de recorrer a fontes literárias e que não tinha a intenção de fraudar ou substituir as obras de outros autores.

Ellen White “não copiava de maneira indiscriminada nem reproduzia integralmente o que encontrava. O que selecionava ou deixava de selecionar, bem como a maneira como modificava o material escolhido”, demonstra que ela utilizava fontes literárias “para ampliar ou expressar com maior força seus próprios temas transcendentes; ela era senhora de suas fontes, não sua serva”.

HERBERT DOUGLAS foi um teólogo e escritor, autor do livro Mensageira do Senhor

Referências

1 Ellen G. White, O Grande Conflito (CPB, 2021), p. 11.

2 Saiba mais sobre a pesquisa em: https://centrowhite.org.br/perguntas/perguntas-sobre-ellen-g-white/projeto-o-desejado-de-todas-as-nacoes/.

(Publicado na seção “Dom de Profecia” da Revista Adventista de Outubro/2026)

Sobre o autor

Avatar photo

A Redação

Equipe da Revista Adventista

Deixe um comentário