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Aposta perigosa

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Escrito por A Redação

É correto jogar na loteria se eu doar uma grande parte do prêmio para a igreja?

Clinton Wahlen

Essa é uma pergunta interessante que as pessoas fazem com frequência. As loterias e outras formas oficiais de jogo de azar estão se tornando cada vez mais aceitas e existem em dezenas de países. A internet também possibilitou que pessoas participem de bolsas internacionais de apostas. É possível apostar em resultados futuros de esportes, política, economia e outras áreas de grande interesse público. Esse mercado de previsão está se tornando extremamente popular, mas será que é moralmente aceitável participar da loteria ou de outras formas de jogo de azar?

Em primeiro lugar, é importante mencionar que ganhar na loteria difere significativamente de receber prêmios em sorteios promocionais e outras distribuições de brindes que não exigem qualquer pagamento para participar. Os sorteios promocionais são decididos de maneira aleatória, enquanto o jogo de azar exige que a pessoa contribua com dinheiro para um fundo comum, que então é usado para custear a administração do jogo e pagar os prêmios aos vencedores. No jogo de azar, não há apenas vencedores, mas também perdedores. Além disso, pode causar dependência, destruindo a vida de muitas pessoas e famílias.

Em segundo lugar, todos os que jogam na loteria ou arriscam dinheiro em qualquer outro jogo de azar esperam ganhar mais do que contribuem e, de preferência, muito mais. Mas esse prêmio é retirado do dinheiro dos participantes que perderam. Assim, o jogo de azar constitui uma forma sutil de roubo, pois o vencedor tira dinheiro de pessoas que não querem perdê-lo. Isso viola o mandamento: “Não furte” (Êxodo 20:15). Além disso, fere o décimo mandamento: “Não cobice […] coisa alguma que pertença ao seu próximo” (Êxodo 20:17; cf. Romanos 7:7). Jesus também advertiu: “Tenham cuidado e não se deixem dominar por qualquer tipo de avareza, porque a vida de uma pessoa não consiste na abundância dos bens que ela tem” (Lucas 12:15). A palavra grega para “cobiçar” (pleonekteō) significa “querer mais”.

A Bíblia é clara ao afirmar que Deus não deseja dinheiro adquirido de maneira errada. O salário de uma prostituta não deveria ser levado à casa de Deus (Deuteronômio 23:18). Até mesmo os sacerdotes que conspiraram para crucificar Cristo reconheceram que era impróprio colocar no tesouro do templo o “preço de sangue” recebido por Judas (Mateus 27:6). Da mesma forma, doar à igreja dinheiro obtido por meio de jogos de azar não santifica esse ganho.

Alguns podem se perguntar se o jogo de azar é realmente tão diferente de outras formas de assumir riscos. Um empreendimento financeiro, incluindo investimentos em ações, não envolve algum tipo de risco? De fato, envolve, mas não consiste em tirar dinheiro de outras pessoas. Além disso, um risco calculado, com alta probabilidade de sucesso, é muito diferente de um jogo de azar, no qual os participantes raramente obtêm lucro. O princípio da diversificação dos investimentos geralmente garante que, ao longo do tempo, os investimentos bem-sucedidos superarão significativamente os malsucedidos, produzindo um lucro líquido. Deus espera que, como mordomos, usemos com sabedoria os recursos que Ele nos confiou, conforme ilustra a parábola dos talentos (Mateus 25:14-30). O Senhor afirma: “Honre o Senhor com os seus bens” (Provérbios 3:9); e exorta cada um, como mordomo, a ser “encontrado fiel” (1 Coríntios 4:2).

CLINTON WAHLEN é diretor associado do Instituto de Pesquisa Bíblica

(Artigo publicado na seção “Boa Pergunta” da Revista Adventista de setembro/2026)

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Equipe da Revista Adventista

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