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A força da perseverança

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Escrito por A Redação

Quando a fé floresce em meio à resistência

Amanda Pereira

Ser o único a seguir um caminho de fé dentro da família nunca é simples. Para muitos, a religião é herdada, compartilhada por meio de tradições e vivida em comunidade. Para outros, porém, ela nasce de um encontro pessoal com Deus. Por vezes, esse encontro os conduz por um caminho diferente daquele trilhado por quem mais amam.

No meu caso, não houve convite, estudo bíblico nem apelo evangelístico. Foi Deus quem veio ao meu encontro. De maneira profunda e pessoal, senti Seu chamado tocar meu coração e me convidar para uma nova vida. Mesmo sem compreender plenamente o que isso significava, decidi responder: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Isaías 6:8).

Sou casada, e meu esposo, embora tivesse sido adventista, encontrava-se afastado da igreja. Quando comecei minha jornada de fé, ele ainda não participava da vida em comunidade. Mesmo assim, permaneci firme em minha decisão de seguir adiante.

Houve momentos em que caminhei sozinha. Em silêncio, sem apoio e, por vezes, até às escondidas. Meus pais, sinceros e firmes em suas convicções religiosas, não conseguiam compreender minha decisão. O medo da rejeição me acompanhou durante algum tempo. Em certas ocasiões, o silêncio pareceu um caminho mais seguro do que o enfrentamento. É nesse espaço entre o amor à família e a fidelidade àquilo que cremos que se trava uma das mais profundas batalhas espirituais.

Um dos momentos mais marcantes da minha caminhada ocorreu após um dia em que, por insistência de meus pais, fui confrontada por não participar de um rito religioso com eles. Saí daquela experiência profundamente ferida, envolta em um silêncio que apenas Deus podia compreender. Então, de maneira inesperada, um irmão da igreja se aproximou, me abraçou e disse algo que jamais esqueci: “Não deixe de orar por seus pais.”

Aquele gesto me fez experimentar o cuidado de Deus de maneira muito real. Foi como um lembrete de que Ele me via, compreendia minhas lutas e caminhava ao meu lado. Naquele momento, a promessa de Cristo tornou-se viva para mim: “E eis que estou com vocês todos os dias” (Mateus 28:20).

Com o passar do tempo, testemunhei algo precioso: meu esposo voltou para a igreja. Aquele que um dia esteve afastado passou a caminhar novamente ao meu lado na fé. Então compreendi que Deus não estava trabalhando apenas em minha vida, mas também no coração de meus familiares.

Essa experiência me ensinou que permanecer não significa resistir com dureza, mas perseverar com amor. Não se trata de vencer debates, mas de viver um testemunho coerente e constante. A Bíblia nos aconselha: “Não se deixe vencer pelo mal, mas vença o mal com o bem” (Romanos 12:21).

Hoje, compreendo que minha missão dentro da família não é impor convicções, mas demonstrá-las por meio da vida. Amar, respeitar e ouvir, mesmo quando não há compreensão ou concordância, também fazem parte do chamado cristão.

Permanecer é um ato de fé silencioso, constante e, muitas vezes, invisível aos olhos humanos. No entanto, é nesse permanecer que Deus escreve histórias de transformação que vão muito além de nós e alcançam aqueles a quem amamos. 

AMANDA PEREIRA trabalha na Casa Publicadora Brasileira

(Texto publicado na Revista Adventista de julho/2026)

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A Redação

Equipe da Revista Adventista

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