Destaques Entrevista

Casa de refúgio

Foto: ADRA
Escrito por Márcio Tonetti

Líder da ADRA em Rondônia fala sobre o atendimento a migrantes

A resposta aos desafios gerados pelos fluxos migratórios é uma das frentes de atuação da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA). Em Porto Velho (RO), um projeto da agência humanitária acolhe refugiados e oferece novas oportunidades. Nesta entrevista, Daniel Lessa, coordenador da ADRA em Rondônia, destaca os principais desafios e o impacto desse trabalho.

Como a Casa de Passagem Esperança tem ajudado refugiados?

Essa iniciativa tem desempenhado papel fundamental no acolhimento de refugiados e migrantes em situação de vulnerabilidade, oferecendo atendimento integral. O espaço, que disponibiliza vagas para 50 pessoas em alojamento seguro, oferece alimentação diária, acompanhamento social e psicológico, além de encaminhamentos para serviços de saúde, regularização documental e inserção no mercado de trabalho. Essas ações contribuem diretamente para que os acolhidos consigam reconstruir sua vida com dignidade e autonomia. Desde a criação do projeto, mais de 420 pessoas já foram atendidas.

Quais são os principais desafios para ampliar o atendimento diante do aumento de migrantes na região?

Entre os principais desafios enfrentados para a ampliação do atendimento estão a limitação da capacidade física da Casa de Passagem e a necessidade de mais recursos financeiros e estruturais para manter e expandir os serviços. Além disso, há uma crescente demanda por atendimentos especializados, como cuidados de saúde e apoio à inserção profissional. A maioria dos migrantes acolhidos é oriunda da Venezuela, principal país de origem de refugiados e migrantes no Brasil nos últimos anos, mas também há pessoas vindas da Colômbia, do Peru, do Equador, do Chile, da Argentina e de Cuba.

De que forma os cursos oferecidos pela ADRA contribuem para a autonomia desses refugiados?

Os cursos oferecidos pela ADRA proporcionam o desenvolvimento de habilidades práticas e profissionais. Entre as formações, destacam-se aulas de língua portuguesa, cursos de crochê e capacitações em áreas como construção civil. Ao aprender o idioma e adquirir novas competências, os migrantes aumentam significativamente suas chances de inserção no mercado de trabalho. Além disso, o apoio na elaboração de currículos e o encaminhamento para oportunidades contribuem para que alcancem independência financeira e social.

Qual é a importância do suporte psicológico no processo de adaptação dos migrantes?

O suporte psicológico é essencial, considerando que muitos chegam ao Brasil após vivenciarem situações de trauma, perdas familiares, insegurança e longas jornadas em condições precárias. O acompanhamento psicológico auxilia na recuperação emocional, no fortalecimento da autoestima e na reconstrução da confiança. Esse apoio também favorece a adaptação ao novo contexto social e cultural, permitindo que os refugiados consigam reorganizar a vida e projetar um futuro com mais estabilidade
e esperança.

Como a participação de ex-beneficiários nas atividades do projeto fortalece o trabalho da ADRA em Porto Velho?

Essas pessoas representam exemplos concretos de superação e transformação. Ao compartilharem suas experiências, elas geram identificação e inspiração nos novos acolhidos, contribuindo para um ambiente mais acolhedor e motivador. Além disso, podem auxiliar na integração dos recém-chegados. Esse envolvimento cria um ciclo positivo de solidariedade, no qual aqueles que foram ajudados passam a colaborar na construção de novas histórias de recomeço.

(Entrevista publicada na Revista Adventista de junho/2026)

Sobre o autor

Márcio Tonetti

Pastor e jornalista, é editor associado da Revista Adventista

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