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A lição que ficou

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Escrito por Wellington Barbosa

A questão das origens ultrapassa o campo da ciência e alcança os fundamentos da fé

Uma das profissões homenageadas no mês de outubro é a de professor. Em cada fase da minha vida acadêmica, pelo menos um deles se destacou. Guardo na memória muitos ensinamentos importantes que recebi, mas, acima de tudo, momentos que foram cruciais para minha jornada de crescimento espiritual.

Conheci o evangelho em um colégio adventista, na década de 1990. A atenção dos professores, o ambiente escolar e as semanas de oração foram fundamentais para que eu tivesse uma visão geral da mensagem adventista. Contudo, em minhas indagações adolescentes, algumas coisas ainda pareciam não se encaixar. Como conciliar o relato bíblico da criação com o conteúdo evolucionista apresentado, especialmente, nos livros de Biologia? Foi nesse contexto que entrou em cena um professor que fez diferença justamente quando eu precisava tomar uma decisão.

Era um jovem que vinha de uma experiência em um colégio do Noroeste do Brasil e assumia a turma no segundo semestre daquele ano letivo. Na primeira aula, algumas coisas me chamaram atenção: ele confessou ser “viciado em pó de giz” e amar a profissão, tinha um temperamento agradável e uma caligrafia perfeita, além de revelar sua paixão pelo basquetebol. Naquela escola, isso contava muito!

Com sabedoria, conhecimento e “jogo de cintura”, o jovem professor conquistou o respeito da classe e avançou com tranquilidade pelos temas e termos peculiares das ciências biológicas. Até que chegou o assunto espinhoso: a origem da vida e o evolucionismo. Naquele ponto, para mim, não estava em jogo apenas assimilar o conteúdo curricular, mas responder a uma pergunta com profundas implicações espirituais.

De maneira detalhada, ele explicou cada ponto do argumento evolucionista, oferecendo-nos o conhecimento necessário para enfrentar o tema no vestibular. Ao mesmo tempo, apresentou contrapontos científicos que enfraqueciam a tese darwiniana e favoreciam o relato bíblico de uma criação intencional e literal realizada por Deus.

Na última aula sobre o tema, ele propôs que avaliássemos o peso das evidências e considerássemos o criacionismo um modelo conceitual, plenamente convergente com o ensino das Escrituras. Para mim, aquilo foi suficiente para escolher uma posição. A experiência não apenas respondeu às minhas dúvidas, mas também solidificou a decisão de ser batizado.

O tema das origens não é periférico na teologia adventista. Na realidade, é central e deve ser compreendido à luz das Escrituras e da verdadeira ciência. Ao aceitar uma interpretação evolucionista das origens, o cristão se depara com uma série de questões que atingem os fundamentos do plano da salvação. Se a morte já existia antes do pecado e fazia parte do processo criativo de Deus, o que significa a queda? Se não houve uma queda histórica, por que precisamos de redenção? E, se o pecado não entrou na história como a Bíblia descreve, o que exatamente Cristo veio restaurar?

Infelizmente, nem todos os nossos jovens têm a oportunidade de contar com professores como o que tive no Ensino Médio, e muitos membros da igreja foram batizados sem refletir profundamente sobre a questão das origens. Por isso, a Igreja Adventista promove, em outubro, o Sábado da Criação. Em apoio à programação das congregações locais, a RA traz, nesta edição, uma avaliação crítica do chamado evolucionismo teísta. Mais do que uma discussão sobre como a vida começou, essa é uma questão que envolve nossa compreensão de Deus, da queda, da morte e do plano da salvação.

WELLINGTON BARBOSA é editor da Revista Adventista

(Editorial da Revista Adventista de outubro/2026)

Sobre o autor

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Wellington Barbosa

Doutor em Ministério pela Universidade Andrews (EUA), é gerente editorial da Casa Publicadora Brasileira e editor da Revista Adventista

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