Clinton Wahlen
Essa é uma excelente pergunta; uma questão que tem sido discutida por séculos, senão milênios. Em primeiro lugar, é importante reconhecer que a Bíblia é clara ao afirmar que as relações sexuais devem ocorrer exclusivamente entre marido e mulher (Gênesis 2:24; 1 Coríntios 6:9, 10). Também é preciso observar que, embora o sexo seja algo bom, não é essencial para a realização pessoal. A vida de solteiro e o celibato são altamente valorizados, e aqueles que permanecem solteiros podem servir a Deus com dedicação exclusiva (1 Coríntios 7:32-35).
A Bíblia não responde diretamente à pergunta, mas em nenhum momento proíbe as relações sexuais durante o sábado no contexto do casamento; portanto, trata-se de uma questão pessoal. Há alguns anos, ao conversar com um comerciante em Jerusalém sobre as atitudes judaicas em relação a diversos temas, perguntei o que os judeus pensavam acerca das relações íntimas no sábado. A resposta dele? “Esse é um tema bastante controverso!” Os rabinos, contudo, afirmavam: o momento apropriado para cumprir as “obrigações conjugais” era “nas noites de sexta-feira”.*
Curiosamente, Gênesis 2 começa com o estabelecimento do sábado (v. 1-3) e termina com a instituição do casamento (v. 24; Mateus 19:4, 5). Ao comentar isso, Jesus observou: “De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, que ninguém separe o que Deus ajuntou” (Mateus 19:6). Considere as implicações:
1) O casamento foi instituído por Deus e concebido como uma união monogâmica de “uma só carne” entre marido e mulher. Reservar esse dom especial para o vínculo conjugal, conforme o propósito divino, conduz a uma intimidade profunda e verdadeiramente satisfatória ao longo da vida.
2) Após o casamento de Adão e Eva, como ápice de um dia bastante intenso (Gênesis 1:26–2:24), o relato declara: “Ora, um e outro, o homem e a sua mulher, estavam nus e não se envergonhavam” (Gênesis 2:25). Então, como passaram a primeira noite juntos? Não sabemos exatamente. Contudo, somos informados de que “Deus os abençoou e lhes disse: ‘Sejam fecundos, multipliquem-se’” (Gênesis 1:28). Evidentemente, as relações sexuais naquela primeira noite de sexta-feira estariam em harmonia com essa ordem.
3) O sábado foi estabelecido como um ato de deleite após o término da criação (Gênesis 2:1-3). Assim, quão apropriado seria se esse primeiro sábado culminasse em uma bela expressão de amor físico e conjugal do primeiro casal!
De fato, Cântico dos Cânticos exalta o amor conjugal, celebrando a intimidade sexual como um belo presente divino. Isaías 58:13 e 14 apresenta o sábado como um deleite singular, um dia de renovação física, emocional e espiritual e de alegria em Deus. Embora não seja um dia para fazer o que nos agrada, buscar prazeres triviais ou seguir nossa vontade, as relações conjugais, de comum acordo entre marido e mulher, não apenas estão em harmonia com a vontade divina, como também são ordenadas (1 Coríntios 7:3-5). Hebreus 13:4 afirma: “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito conjugal sem mácula; porque Deus julgará os impuros e os adúlteros.”
Sim, o sábado é santo, e o sexo dentro de um casamento monogâmico e heterossexual também é puro ou, literalmente, “sem mácula”. Em suma, as Escrituras encorajam a intimidade conjugal no sábado ou em qualquer outro dia.
CLINTON WAHLEN é diretor associado do Instituto de Pesquisa Bíblica
(Artigo publicado na seção “Boa Pergunta” da Revista Adventista de junho/2026)
Referência
* b. Ketubot 62b


