Adriana Boganha
Um dos aspectos interessantes que a ciência vem revelando é a possibilidade de a microbiota intestinal estar relacionada, de algum modo, com nossas escolhas alimentares. O intestino humano é a região do corpo que contém a maior quantidade de neurônios fora do cérebro. Os dois órgãos possuem uma forte conexão, já que o intestino se liga diretamente ao encéfalo por meio do nervo vago.
A microbiota intestinal, ou flora intestinal, é o conjunto de micro-organismos, como bactérias, que vivem no trato intestinal humano. Esses micro-organismos auxiliam na digestão de certos alimentos, na produção de vitaminas e no fortalecimento do sistema imunológico.
Desde que as fibras alimentares foram identificadas como prebióticos, ficou evidente que o que comemos influencia diretamente a qualidade e a diversidade da microbiota intestinal. E essa relação é de mão dupla: as bactérias da nossa microbiota também podem influenciar nossas escolhas alimentares.
Acredita-se que essas bactérias afetem a preferência por determinados alimentos, estimulando o desejo por itens que favoreçam seu crescimento e inibam o crescimento de micro-organismos concorrentes. Esse processo tende a causar disforia (inquietude) até que os alimentos desejados sejam ingeridos.
Microbiota e cérebro
A atuação das bactérias ao longo do que se denomina eixo intestino-cérebro parece estar relacionada a alterações no controle do apetite e nas funções cerebrais, contribuindo para a origem e progressão de transtornos alimentares, assim como o abuso de álcool e outras substâncias.
O impacto da microbiota intestinal na saúde humana é uma área de crescente interesse na neurobiologia e na psiquiatria, pois já se sabe que as bactérias desempenham papel fundamental na regulação da bioquímica cerebral, influenciando tanto a neuroquímica quanto o comportamento emocional e alimentar.
ADRIANA BOGANHA é nutricionista e mestre em Educação nas Profissões da Saúde
(Artigo publicado na seção “Bem-estar” da Revista Adventista de fevereiro/2026)


