Ivan Stabnov
Não é apenas o excesso de comida e a falta de exercícios que fazem alguém engordar. Há outro fator, bastante presente e pouco conhecido, que influencia diretamente o aumento do nosso peso. Contudo, muitas vezes, nem percebemos sua atuação.
Nos últimos anos, diversas notícias têm abordado a presença de compostos químicos no ambiente que podem estar relacionados ao aumento de peso na população em geral – ou em indivíduos específicos. Conhecidos como obesogênicos, esses compostos estão presentes no ar, na água e nos alimentos, afetando a regulação endócrina do metabolismo energético e a composição do tecido adiposo. Não são alimentos, mas podem contribuir para o ganho de peso.
O termo foi criado pelo pesquisador Bruce Blumberg, da Universidade da Califórnia, e apresentado em seu livro The Obesogen Effect (O Efeito Obesogênico). Atualmente, cerca de 50 substâncias químicas são classificadas como obesogênicas. Entre elas está o politetrafluoretileno (PTFE), conhecido comercialmente como teflon, substância que também tem sido associada a problemas respiratórios, como asma, e a maior suscetibilidade a infecções.
Os fetos e as crianças são os mais vulneráveis aos obesogênicos. Essas substâncias já foram identificadas no organismo de gestantes e podem ser transferidas aos filhos, favorecendo o desenvolvimento da obesidade. Estudos realizados com fetos e filhotes de animais expostos a esses compostos químicos indicam alterações no sistema endócrino, promovendo o desenvolvimento de células gordurosas.
Outra forma de prejuízo ocorre quando há alteração da microbiota intestinal. Essas mudanças podem fazer com que o organismo passe a absorver mais nutrientes do que o necessário – nutrientes que, em condições normais, seriam eliminados. Como resultado, há maior tendência ao acúmulo de gordura corporal.
Algumas dessas substâncias também podem causar alterações epigenéticas, ou seja, modificações que afetam a forma como os genes se expressam, sem alterar a sequência do DNA. Quando a expressão genética é modificada, as células passam a desempenhar suas funções de maneira diferente, o que pode aumentar o risco de doenças metabólicas, como a obesidade. Além disso, essas alterações podem ser transmitidas aos filhos e até mesmo às gerações seguintes.
Além do teflon, alguns defensivos agrícolas também têm sido associados ao aumento da obesidade em crianças. Outra substância preocupante é o Bisfenol A, que estimula a formação de células de gordura e favorece a resistência à insulina. Ele está presente em plásticos rígidos, como tábuas de corte de alimentos, escovas de dente, mamadeiras e até em comprovantes de cartão de crédito impressos em papel térmico, entre outros produtos.
Os ftalatos, presentes em diversos tipos de plásticos; os PCBs (bifenilos policlorados), encontrados em carnes, peixes, derivados de leite e cosméticos, bem como as isoflavonas presentes na soja – todos têm sido investigados por sua possível relação com o desenvolvimento da obesidade infantil.
A prevenção envolve o abandono do fumo, a redução do consumo de alimentos e bebidas embalados, a diminuição do uso de plásticos, loções, cosméticos e detergentes com compostos potencialmente nocivos, bem como a preferência por alimentos com menor teor de defensivos agrícolas.
IVAN STABNOV é médico gastroenterologista
(Artigo publicado na seção “Vida & Saúde” da Revista Adventista de abril/2026)


