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Visão 3D

Imagem Generativa: Renan Martin
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Escrito por Stanley Arco

Três perspectivas que transformam a experiência espiritual em missão

O livro de Isaías divide-se em duas seções. A primeira (capítulos 1 a 39) adverte Judá sobre a iminente invasão assíria; a segunda (capítulos 40 a 66) anuncia consolação e esperança ao povo após o exílio babilônico. Enquanto a primeira enfatiza o juízo divino pelos pecados da nação, a segunda destaca a restauração prometida por Deus.

Isaías ministrou em Jerusalém, mas suas mensagens abrangiam os reinos do Norte e do Sul. Em harmonia com o significado de seu nome (“a salvação vem do Senhor”), sua missão era admoestar, consolar e anunciar a salvação. Esse propósito se relaciona ao discipulado: formar seguidores de Jesus que, por sua vez, façam novos discípulos. Vejamos como Isaías apresenta uma abordagem 3D do discipulado.

Olhar para cima (Isaías 6:1-4). O crescimento econômico e a paz temporária encobriam a corrupção moral da nação. Deus levou Isaías a erguer os olhos ao trono celestial, desviando-os de si mesmo e de seu povo. Embora houvesse confusão na Terra, no Céu reinava a perfeita paz. Enquanto o reinado de Uzias chegava ao fim, o Senhor permanecia soberano. Os serafins proclamavam: “Santo, santo, santo” (v. 3). Ergamos os olhos para Cristo em Seu trono. “O Senhor está em Seu santo templo” (Habacuque 2:20). Entremos em Sua presença e permaneçamos em comunhão com Ele, para sermos purificados e restaurados.

Olhar para dentro (Isaías 6:5-7). Uma visão genuína de Deus e de Sua santidade nos leva a reconhecer nossos pecados e fracassos. Jó contemplou a Deus e se arrependeu. Saulo, fariseu, abandonou sua própria justiça, creu em Cristo e tornou-se o apóstolo Paulo. Quem tem uma experiência verdadeira com o Senhor não se torna arrogante, mas humilde, dependente de Deus. Ao confessar seus pecados, Isaías destacou seus lábios impuros. Sabia que não poderia pregar fielmente sem ser purificado pelo Senhor. Deus atendeu à sua necessidade, enviando um serafim com uma brasa viva do altar para purificá-lo. À convicção do pecado seguiu-se a purificação. A verdadeira adoração conduz ao testemunho e ao serviço.

Olhar para fora (Isaías 6:8-13). Ao sair do templo, Isaías já não era alguém aflito, mas um missionário; não um espectador, mas um participante; não apenas um discípulo, mas um discipulador. Deus o capacitou para cumprir essa missão. Convicto de que o Senhor estava no trono e o havia comissionado, o profeta estava pronto para proclamar a Palavra e permanecer fiel até a morte.

E nós? A mesma comissão nos é confiada hoje: “Mas vocês receberão poder […] e serão Minhas testemunhas […] até os confins da terra” (Atos 1:8). Ellen White escreveu: “A mesma intensidade de desejo de salvar pecadores que marcou a vida do Salvador assinala a vida do verdadeiro discípulo Dele. O cristão não tem o desejo de viver para si. Ele tem prazer em consagrar ao serviço do Mestre tudo quanto tem e é. Ele é movido pelo inexprimível desejo de ganhar almas para Cristo.”* Isaías viu o Senhor, reconheceu sua condição e percebeu a necessidade de salvar pessoas. Hoje, Deus repete a pergunta, aguardando nossa resposta: “A quem enviarei, e quem há de ir por Nós?” Então, como Isaías, digamos: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Isaías 6:8).

STANLEY ARCO é o presidente da Igreja Adventista para a América do Sul

(Artigo publicado na seção “Bússola” da Revista Adventista de novembro/2026)

Referência

* Ellen G. White, Maranata: O Senhor Logo Vem! (CPB, 2021), 2 de abril.

Sobre o autor

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Stanley Arco

Presidente da Igreja Adventista para a América do Sul

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