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Alicerces da fé

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Escrito por Wellington Barbosa

Elementos que moldam a identidade adventista

Como você define o termo identidade? De acordo com o dicionário, entre outros significados, a palavra indica o “conjunto de características e circunstâncias que distinguem uma pessoa ou uma coisa e graças às quais é possível individualizá-la”.1 Se aplicarmos essa definição à Igreja Adventista do Sétimo Dia, quais seriam as “características e circunstâncias” que tornam nossa denominação distinta?

Ao longo do tempo, a resposta a essa pergunta parece ter variado em diferentes contextos, à medida que alguns buscaram tornar o adventismo mais flexível, a fim de aproximá-lo de outros movimentos religiosos. Embora seja necessário encontrar pontos de similaridade com outras formas de pensamento para estabelecer um diálogo inicial, comprometer quem somos nesse processo é contraprodutivo e arriscado. A experiência mostra que essa estratégia, além de não atrair quem pensa de maneira diferente de nós, tem o potencial de levar membros da igreja para os movimentos que tentamos alcançar.

Em realidade, ter uma visão clara de quem somos e viver de modo coerente com nossa profissão de fé é crucial para que a igreja cumpra a missão que lhe foi designada por Deus. Por isso, é necessário reafirmar continuamente quais são os fundamentos espirituais, comunitários, históricos e missiológicos que definem quem é o povo do advento.

No centro de nossa identidade encontra-se a verdade revelada na Palavra de Deus. Conforme escreveu Frank Hasel, “ela é a pedra angular de nossas crenças; é a luz que orienta nossa teologia; é o roteiro para nosso estilo de vida. Ela é a base sobre a qual nossa fé é construída, e seus ensinamentos moldam nossa compreensão de quem somos como seres humanos. Ela nos fala sobre Deus e Sua salvação. Por isso, a Bíblia ocupa um lugar único e central no coração dos adventistas do sétimo dia”.2

Entretanto, nossa identidade não se sustenta apenas teologicamente, mas também em sua expressão comunitária, a igreja. Pertencer a uma congregação saudável, na qual as Escrituras são pregadas, os cultos são inspiradores, as pessoas são acolhidas, os dons são desenvolvidos e o discipulado é intencional fortalece a fé, aprofunda vínculos e torna visível aquilo que cremos.

Além disso, não podemos ignorar a importância de nossa história como elemento constitutivo da identidade. O adventismo segue o legado dos reformadores na busca sincera pela verdade e na convicção do chamado para restaurar a fé apostólica. O processo árduo e desafiador pelo qual nossos pioneiros passaram para que a igreja estabelecesse uma estrutura teologicamente consistente, organizacionalmente sólida, financeiramente sustentável e eficientemente voltada para a missão deve ser valorizado como algo precioso que orienta nosso presente e ajuda a direcionar nosso futuro.

Finalmente, o engajamento na missão não pode ser dissociado da identidade adventista. Somos um movimento profético que reconhece o chamado para ser o remanescente do tempo do fim, com o objetivo de convidar pessoas de todas as nações, tribos, línguas e povos a adorar o Criador, a viver à luz do evangelho eterno e a se preparar para a vinda iminente do Senhor.

Portanto, quando permanecemos comprometidos com a Palavra, fortalecidos pela comunhão da igreja, conscientes de nossa história e dedicados à missão, encontramos não apenas clareza sobre quem somos, mas também direção para onde devemos ir. E acima de tudo, a certeza de quem vai à nossa frente.

Maranata!

WELLINGTON BARBOSA é editor da Revista Adventista

(Editorial da Revista Adventista de maio/2026)

Referências

1 Dicionário Houaiss, “Identidade”, https://houaiss.online/houaisson/.

2 Frank Hasel, “Nosso Alicerce: A Bíblia”, em Artur A. Stele, Comprometidos com Nossa Identidade (CPB, 2025), p. 38.

Sobre o autor

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Wellington Barbosa

Doutor em Ministério pela Universidade Andrews (EUA), é gerente editorial da Casa Publicadora Brasileira e editor da Revista Adventista

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