A expressão no rosto daquele ancião indicava que algo não ia bem. Sem formalidade, perguntei: “Irmão, o que está acontecendo?” Ele coçou a cabeça, suspirou e respondeu: “Pastor, acho que vamos ter problemas. O irmão Tomé (pseudônimo) conversou comigo na semana passada e me disse que está estudando uns textos que encontrou na internet, que contestam nossa crença quanto à pessoa do Espírito Santo.”
Fiquei surpreso. Tomé, sua esposa e suas filhas eram membros atuantes, e eu jamais imaginaria que ele pudesse nutrir dúvidas sobre o ensinamento bíblico-adventista a respeito da natureza do Espírito Santo. Agendei prontamente uma visita e pesquisei quais eram as críticas mais recorrentes sobre o tema.
No dia combinado, fui à casa da família acompanhado do líder que havia me informado da situação. Fomos recebidos com cordialidade pelo casal, embora Tomé demonstrasse alguma apreensão. Após as considerações iniciais, fui direto ao ponto: “Tomé, soube que você tem estudado alguns textos da internet a respeito do Espírito Santo e que isso tem despertado dúvidas. Como poderíamos ajudá-lo?”
Constrangido, ele tentou evitar o assunto, mas, aos poucos, apresentou questionamentos sobre o ensino adventista e argumentos contrários à nossa crença fundamental. Ouvimos atentamente seu arrazoado até que nos foi permitido falar.
Diante da confusão demonstrada por aquele membro experiente, ministrei um estudo bíblico, mostrando-lhe textos que evidenciam atributos pessoais do Espírito Santo, como inteligência (João 14:26), emoções (Efésios 4:30), fala (Atos 8:29), ensino (Lucas 12:12), envio (Atos 13:2), a obra de glorificar Jesus (João 14:26) e a possibilidade de pecarmos contra Ele (Mateus 12:31; Marcos 3:29).
Com ceticismo, Tomé afirmou que aquelas passagens seriam insuficientes para provar a personalidade e a divindade do Espírito Santo. Então, lançou o que considerava sua “carta na manga”: os “originais” da Bíblia não favoreceriam essa doutrina!
Nesse momento, expliquei-lhe que, na verdade, o texto em língua original oferece dois argumentos muito relevantes em favor da personalidade do Espírito Santo: (1) o uso de pronomes masculinos para se referir ao Espírito (João 14:26; 15:26; 16:13), ainda que isso contrarie a coerência sintática da língua, que demanda o uso de pronomes neutros para o substantivo; e (2) a expressão “outro [allos] Consolador” (João 14:26), termo que indica “outro da mesma essência”, sugerindo que o Espírito é tão divino e pessoal quanto Cristo.
Após algum tempo de estudo e diálogo, Tomé reconheceu que estava se ocupando com ideias equivocadas e permaneceu firme na igreja, colaborando, como sempre, para o cumprimento da missão.
De fato, não me surpreende que a crença na pessoa e na obra do Espírito Santo seja alvo de controvérsia no tempo do fim. Sendo Ele quem convence do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8), promove o novo nascimento (João 3:3-8), exalta a Cristo (João 16:14), assegura santificação e pertencimento a Deus (Romanos 8:4-7, 13-17), capacita a igreja com dons (1 Coríntios 12) e concede poder para a proclamação final do evangelho (Joel 2:28-32; Apocalipse 18:1-4), é do interesse do inimigo obscurecer a compreensão acerca da terceira pessoa da Divindade. Não podemos satisfazer ao seu desejo!
WELLINGTON BARBOSA é editor da Revista Adventista
(Editorial da edição de fevereiro/2026)


