O profeta antecipou um tipo distinto de crise. “Eis que vêm dias”, diz o Senhor Deus, “em que enviarei sobre a terra fome – não de pão, e sede – não de água, mas de ouvir as palavras do Senhor” (Amós 8:11). Essa mensagem descreve nosso tempo. As vozes se multiplicam, porém a habilidade de ouvir está desaparecendo. A informação aumenta, mas a sabedoria continua escassa. A humanidade tem uma profunda fome de significado, paz e verdade.
Sinais confiáveis indicam esse vazio espiritual. A Organização Mundial da Saúde relata que uma em cada seis pessoas enfrenta a solidão, o que gera prejuízos significativos à saúde e ao bem-estar. As Nações Unidas registram um número recorde de deslocamentos forçados, com mais de 117 milhões de pessoas deslocadas até o meio de 2025.1 No entanto, temos diante de nós uma oportunidade significativa. A Wycliffe Global Alliance declara que, em 1o de agosto de 2025, 544 das 7.396 línguas vivas do mundo ainda aguardavam o início da tradução da Bíblia.2 Nos últimos anos, tanto o progresso quanto as necessidades aumentaram rapidamente. O mundo está faminto. A mesa está sendo preparada.
A missão sacia essa fome. “Está escrito: ‘O ser humano não viverá só de pão, mas de toda palavra que procede da boca de Deus’” (Mateus 4:4). A fé aumenta ao ouvir a Palavra (Romanos 10:17). O evangelho eterno é destinado a “toda nação, tribo, língua e povo” (Apocalipse 14:6). Onde a dúvida surge, a identidade deve se manter sólida. Onde a dor se propaga, a compaixão deve agir. Onde reina a confusão, as Escrituras devem falar. Portanto, prossigamos – alicerçados na Bíblia e focados na missão.
O conselho é claro e urgente. “Um reavivamento da verdadeira piedade entre nós: essa é a maior e a mais urgente de todas as nossas necessidades! Buscá-lo deve ser nossa primeira ocupação.”3 Reavivamento não é um êxtase de emoção. Ele coloca as Escrituras no centro, exalta Cristo em todas as coisas, promove a prática da oração incessante e leva ao testemunho de forma intencional. Ele se revela em lares que leem a Bíblia todos os dias, em congregações que se transformam em comunidades formadoras de discípulos e em líderes que dedicam tempo e recursos à grande comissão.
Devemos sempre nos lembrar de que a mensagem final é uma revelação do coração de Deus. “Os últimos raios da luz misericordiosa, a última mensagem de graça a ser dada ao mundo, é uma revelação do caráter do amor divino.”4 Um mundo faminto não necessita de barulho excessivo, mas da verdade clara, graciosa e transformadora de Jesus, vivida e proclamada. Enfrentemos este momento com Bíblias abertas, corações prostrados, mãos que servem e vozes que convidam cada pessoa a saciar-se com o Pão da Vida. “A luz é trazida pela revelação de Tuas palavras” (Salmo 119:130).
Maranata!
ERTON KÖHLER é presidente da Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia
Referências
1 Agência da ONU para Refugiados, “Dados Sobre Deslocamento Forçado”, disponível em <acnur.org/br/>.
2 Wycliffe Global Alliance, “2025 Global Scripture Access,” disponível em <wycliffe.net/global-scripture-access>.
3 Ellen G. White, Mensagens Escolhidas (CPB, 2022), v. 1, p. 103.
4 Ellen G. White, Parábolas de Jesus (CPB, 2022), p. 245.
(Artigo publicado na seção “Perspectiva” da Revista Adventista de fevereiro/2026)


