Brad Mills
Dependendo do lugar onde crescemos, a visão e a compreensão acerca do cristianismo podem variar bastante. Para um habitante da Região Metropolitana de São Paulo, por exemplo, um dia típico pode ser assim: ao sair de casa e caminhar até o metrô, passa por um outdoor anunciando o Colégio Adventista do bairro. No metrô lotado, pode esbarrar em alguém vestindo uma camiseta com a expressão “Impacto Esperança” e o logo da Igreja Adventista. Depois, ao parar no mercado para um lanche, encontra na seção de alimentos saudáveis diversos produtos da Superbom. Finalmente, durante uma rápida consulta médica, a televisão na sala de espera exibe um programa de culinária saudável da TV Novo Tempo. Em um único dia, há vários contatos indiretos com a Igreja Adventista. Em algumas partes do Brasil, como em Manaus (AM), há um adventista para cada 34 habitantes.
É possível que você não resida em uma cidade como São Paulo ou Manaus, onde a Igreja Adventista está bastante presente. Ainda assim, pode haver diferentes denominações espalhadas pelos bairros da cidade. Portanto, quando o pastor menciona a relevância do testemunho pessoal e da evangelização, pode surgir a inclinação de acreditar que a missão está prestes a ser concluída. Será que ainda há pessoas que nunca ouviram falar de Jesus?
Imagine ter a oportunidade de visitar uma das maravilhas do mundo: as enigmáticas pirâmides do Egito Antigo. Embora possamos imaginá-las isoladas no deserto, a realidade é que elas estão na periferia de uma grande cidade em rápido crescimento. A Grande Cairo tem uma população de mais de 20 milhões de pessoas, número comparável ao de São Paulo. Diariamente, entre 10 e 15 milhões de pessoas saem das regiões circunvizinhas e se deslocam para a cidade. Isso significa que, em um dia útil, é possível conviver com uma população de 30 milhões de pessoas. As ruas estão cheias de carros buzinando, motoristas gritando e pessoas por toda parte. O Cairo nunca dorme!
No entanto, ao explorarmos a cidade, percebemos algo muito diferente em relação a São Paulo. Onde estão as igrejas? Sim, existe uma Igreja Adventista no Cairo, com aproximadamente 300 membros. Isso implica que, ao contrário de um membro para cada 34 pessoas em Manaus, a proporção é de um para cada 100 mil habitantes. Não existem hospitais adventistas nem TV Novo Tempo proclamando o evangelho. É improvável encontrar um adventista por acaso nessa metrópole. Por isso, é oportuno refletir sobre esta pergunta: Quanto falta para evangelizar o mundo?
Povos não alcançados
As agências missionárias que analisam essa questão classificam o mundo em categorias conhecidas como “grupos de povos”, que geralmente compartilham uma língua, cultura e identidade. As estimativas variam de acordo com a base de dados utilizada, mas a maioria concorda que há aproximadamente 17 mil grupos de povos diferentes ao redor do mundo.1
Dentre eles, entre 7.200 e 7.500 são classificados como “não alcançados”. Povos não alcançados costumam ter menos de 5% de adeptos do cristianismo e menos de 2% de evangélicos.2 Além disso, algumas agências missionárias afirmam que um grupo também é considerado não alcançado se não possui uma igreja nacional robusta o suficiente para evangelizar o restante de seu povo sem assistência externa.
Quando consideramos essas definições, o resultado é surpreendente: aproximadamente 3,5 bilhões de pessoas – isto é, mais de 40% da população global – ainda não foram alcançadas. É importante refletir sobre isso. Praticamente todas as agências missionárias concordam que mais de 40% do mundo ainda não foi alcançado.3 Isso significa que, dentro desses grupos étnicos, menos de 5% são cristãos.
Como isso pode acontecer, considerando que em certos países é quase impossível ir ao supermercado sem passar por diversas igrejas?
A maior parte das pessoas não alcançadas vive na chamada “Janela 10/40”, uma região geográfica que vai do norte da África, atravessando o Oriente Médio, até a Ásia.4 Muitos desses grupos, geralmente compostos por milhões de pessoas, habitam países nos quais a atividade missionária é limitada ou proibida. Para piorar a situação, apenas uma pequena parcela dos missionários estrangeiros trabalha com os grupos mais difíceis de serem alcançados. Por várias e complexas razões, a maioria das agências missionárias ainda concentra seus esforços em povos que já foram evangelizados.
O que fazer?
Primeiramente, você pode se tornar um intercessor. Abra um mapa on-line, aproxime até conseguir visualizar os nomes das ruas, hospitais e universidades nos países da Janela 10/40 e ore por eles. Escolha uma cidade específica e interceda por ela todos os dias. Ore para que o Espírito Santo seja derramado sobre essas cidades. Peça a Deus de forma específica, mencionando o nome de pessoas e lugares que puder mencionar.
Você também pode participar do projeto Mission Refocus.5 A Igreja Adventista está revisando sua abordagem missionária, enfatizando alcançar os não alcançados. Ministérios de apoio, como o Adventist Frontier Missions (AFM),6 também estão enviando missionários para comunidades ainda não alcançadas. Ore pedindo que Deus lhe mostre se você está sendo preparado “para um tempo como este”, a fim de servir em outro lugar. Mesmo que você não vá, ainda pode contribuir apoiando os missionários que estão se preparando para partir.
A missão ainda não acabou. Deus é o autor da salvação da humanidade, mas nos deu a responsabilidade de participar de Seu plano. Jesus nos conclama: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que tenho ordenado a vocês. E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos” (Mateus 28:19, 20).
Este é um chamado à ação. É um convite para que nos ajoelhemos e perguntemos a Deus: Qual é a minha responsabilidade em evangelizar os não alcançados? Cristo virá em breve. Que sejamos encontrados ativos, compartilhando a salvação que temos Nele! 
BRAD MILLS é presidente da Adventist Frontier Missions, com sede em Berrien Springs (EUA)
(Artigo publicado na Revista Adventista de janeiro/2026)


