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50 anos depois

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Escrito por A Redação

Evento de Desbravadores relembra campori histórico realizado no Brasil

Ronaldo Vicente

Os primórdios dos Desbravadores no Rio Grande do Sul remontam ao ano de 1963, quando Luís Telles e Pedro Mattos, membros da Igreja Adventista do bairro Camaquã, em Porto Alegre, organizaram as primeiras atividades do Clube Minuano, considerado o primeiro do estado. Naquela época, a estrutura desse ministério ainda não existia formalmente, e as ações eram conduzidas pelo departamento de Missionários Voluntários (MV), responsável por promover atividades voltadas para a juventude adventista.

Em 1975, um novo capítulo começou a ser escrito quando o pastor José Maria Barbosa assumiu a liderança do MV na antiga Associação Sul-Rio-Grandense. Com a missão de ampliar o alcance do programa, ele recebeu o apoio do jovem missionário norte-americano Jason McCracken, que se dedicou especialmente ao fortalecimento das iniciativas relacionadas aos Desbravadores. Juntos, coordenavam cerca de 450 adolescentes distribuídos em 14 clubes.

Foi durante esse período que os grandes acampamentos dos clubes no Brasil começaram a receber oficialmente o nome de “campori”, inspirados no modelo americano. A ideia ganhou força e acabou moldando definitivamente a identidade dos eventos de integração e celebração dos Desbravadores no país.

Frutos

Naquele mesmo ano, a Revista Adventista registrou o marco histórico ao destacar o “1o Camporee no Brasil”, evento que havia sido realizado de 14 a 16 de novembro em Campestre Novo, região que hoje pertence ao município de Santo Antônio da Patrulha (RS). O texto relatava o entusiasmo e o esforço dos participantes: clubes como o Três Fronteiras, de Uruguaiana, viajaram mais de 700 quilômetros para chegar ao local; já o Clube Everest, do Instituto Adventista Cruzeiro do Sul (Iacs), percorreu cerca de 40 quilômetros. Mais que um simples acampamento, aquele encontro simbolizou o nascimento de uma tradição.

De acordo com o pastor Dalmo Dion, atual líder de Desbravadores para o litoral norte e sul do Rio Grande do Sul, houve outros acampamentos antes de 1975 – como em Santa Catarina, sob a liderança do pastor Henry Raymond Feyerabend, e em São Paulo, organizados pelo pastor José Silvestre. “Mas foi somente em 1975 que esses eventos passaram a receber oficialmente o nome ‘campori’, termo tradicionalmente utilizado pelo movimento mundial dos Desbravadores”, explica.

Retorno às origens

Cinquenta anos depois, o pastor Jason McCracken, hoje com 71 anos, retornou ao Rio Grande do Sul para compartilhar memórias no Campori Herdeiros, realizado nos dias 20 a 23 de novembro. Emocionado, ele relembrou a experiência que, até hoje, inspira gerações. “Foi um privilégio organizar, ao lado do pastor José Maria Barbosa, o primeiro campori no Brasil. Retornar, cinco décadas depois, e ver a força que esse ministério alcançou, é extraordinário. Hoje, a Divisão Sul-Americana tem o maior exército de Desbravadores do mundo”, comemorou.

A celebração desse evento pioneiro transformou o Parque de Eventos de Gravataí (RS) em uma cidade temporária. Estruturas como praças, áreas de lazer, estações de banho, mais de 500 mil litros de água armazenados e 200 banheiros químicos deram suporte aos participantes. “Nosso foco foi recebê-los bem e enviá-los para casa em segurança, mas, acima de tudo, transformados pelo encontro que tiveram com Jesus”, afirmou o pastor Douglas Pino, departamental de Desbravadores para o Norte do estado.

Serviço à comunidade

A disposição de servir levou 7 mil crianças e adolescentes de 208 clubes a arrecadar 3 mil quilos de alimentos e 500 kits de higiene, que beneficiaram cinco ONGs de Gravataí e a Ação Solidária Adventista (ASA), alcançando centenas de famílias por meio do Mutirão de Natal.

A entrega das doações ocorreu no Parque de Eventos da cidade, onde líderes da Igreja Adventista e representantes das organizações beneficiadas reuniram-se para receber os alimentos. Para eles, aquele momento não foi apenas um ato social, mas uma demonstração concreta do compromisso dos Desbravadores com o serviço ao próximo. “Nós enxergamos essa ação como uma corrente do bem, pois uma instituição sem apoio nem pessoas que acreditam em seus projetos não se sustenta. Através desse apoio podemos ajudar muitas crianças”, destacou Fernanda Tuany, diretora da ONG Iluminar.

O pastor Tiago Fraga, presidente da Igreja Adventista para a região do litoral norte e sul do estado, ressalta que as novas gerações compreendem o evangelho de forma prática e que envolvê-las em ações comunitárias é fundamental para o discipulado. “O impacto para a sociedade, e especialmente para nossos adolescentes, é imenso. Eles encontram coerência entre fé e experiência religiosa”, enfatiza.

Herdeiros da missão

O objetivo do campori foi reforçar a compreensão de que cada desbravador é herdeiro da missão confiada por Cristo – uma missão contínua, que atravessa gerações. “Eles também são herdeiros do legado iniciado em 1975 e que continua com as novas gerações. A herança é algo que recebemos, mas que também somos responsáveis por transmitir. Essa é a lógica por trás do tema”, o pastor Douglas explica.

Mais do que rememorar fatos, a celebração dos 50 anos do primeiro campori do Brasil reafirmou a essência do movimento: formar jovens comprometidos com a fé, o serviço e a liderança. A história construída pelos pioneiros continua viva e é renovada a cada geração que veste o uniforme e declara o compromisso de ser fiel a Deus e útil à comunidade.

RONALDO VICENTE é assessor de comunicação da Associação Sul do Rio Grande do Sul

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Equipe da Revista Adventista

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