Em 2026, uma mudança simples chama atenção e, ao mesmo tempo, revela um propósito maior: o projeto “10 Dias de Oração” agora passa a ser chamado de “10 Dias de Clamor e 365 Dias de Oração”. Não é simplesmente a troca de nome, mas o lembrete oportuno de que a busca por Deus não se limita a um evento, mas precisa se tornar um hábito inegociável em nossa vida.
O propósito é mobilizar a igreja para 10 dias de clamor intencional pelo derramamento do Espírito Santo e, depois, sustentar essa dependência em uma comunhão diária e profunda ao longo do ano. Em um tempo como o nosso, não há espaço para uma fé vacilante: precisamos orar, buscar e perseverar, porque “a maior e mais urgente de todas as nossas necessidades é de um reavivamento da verdadeira piedade entre nós”.*
O tema deste ano, “O Espírito Santo e o Tempo do Fim”, lembra-nos que não estamos diante de um assunto teórico, mas de uma realidade decisiva. A caminhada cristã não se resume a ajustar hábitos; ela aponta para algo maior: “a renovação da mente”, para que experimentemos “qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2). Essa obra não nasce da força de vontade nem se sustenta apenas por boas intenções. Ela acontece quando o Espírito Santo purifica o coração, forma em nós o caráter de Cristo e nos capacita a cumprir a missão.
A promessa feita a Joel e cumprida parcialmente no Pentecostes continua viva em nós: “E acontecerá nos últimos dias, diz Deus, que derramarei o Meu Espírito sobre toda a humanidade. Os filhos e as filhas de vocês profetizarão, os seus jovens terão visões, e os seus velhos sonharão. Até sobre os Meus servos e sobre as Minhas servas derramarei o Meu Espírito naqueles dias, e profetizarão. Mostrarei prodígios em cima no céu e sinais embaixo na terra: sangue, fogo e nuvens de fumaça. O sol se transformará em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e glorioso Dia do Senhor. E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Atos 2:17-21).
Por isso, clamor não é ansiedade religiosa, é confiança. Não é pressão para “sentir mais”, mas entrega para viver guiado por Deus. Quando a igreja ora assim, com perseverança, ela aprende a esperar como quem sabe que o Céu não é indiferente às súplicas sinceras.
Que esse movimento de clamor e oração seja mais do que um programa: seja um recomeço. Um retorno à fonte. Um chamado para conhecer e prosseguir em conhecer o Senhor, até que a presença do Espírito Santo seja, para nós, tão necessária quanto o ar e tão certa quanto o amanhecer (Oseias 6:3).
STANLEY ARCO é presidente da Igreja Adventista para a América do Sul
Referência
* Ellen G. White, Serviço Cristão (CPB, 2022), p. 35.
(Artigo publicado na seção “Bússola” da Revista Adventista de fevereiro/2026)


